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Relatos: São Luís – Lençóis Maranhenses – Alcântara – 6 dias

Bom, contarei aqui sobre minha primeira viagem à São Luis, na qual também aproveitei pra conhecer os Lençóis Maranhenses (que foi o principal motivo da viagem na verdade) e Alcântara. Lembrando que isso não é um guia do que fazer, o que comer, onde ir. É só um relato da minha experiência, o que fiz, etc…

Não esperava nem conhecia muitas coisas de São Luis, então a cidade me surpreendeu bastante positivamente.
Foi minha primeira vez na cidade, mas como tenho parentes morando lá, foi uma viagem um pouco diferente das que eu costumo fazer (não precisei ficar em hostel, fora as pequenas mordomias que ficar em casa de parente nos oferece).

Já chegando no aeroporto podemos observar algumas decorações da festa mais conhecida e marcante da cidade, que é o Bumba Meu Boi. A festa acontece nos meses de Junho e Julho, mas há algumas apresentações por todo o ano. E também não vá achando que a cidade é só Bumba Meu Boi. São Luis me mostrou ser uma cidade muito rica de histórias e cultura!

1° dia – Mostra Internacional de filmes, pracinha, orla e bar.

Bom, primeiro dia numa cidade nova, sem conhecer muita gente, minha tradição é a mesma. Procurar locais pra conhecer a cidade da perspectiva deles. Sempre uso a combinação hostel + Tinder (sim,isso também serve pra outras coisas!) pra poder ter companhias pra sair e conhecer gente nova. Como não fiquei em hostel dessa vez, fui pro Tinder. Também me lembrei de uma seguidora do Twitter de São Luis, que nunca trocamos uma mensagem na vida, mas mandei mesmo assim a clássica frase de viajantes “ah, estou na sua cidade sem conhecer nada nem ninguém, se quiser me mostrar algo ou tiver dicas eu aceito”. E é, deu certo.

De manhã, vi ocasionalmente na TV que estava acontecendo a primeira Mostra Internacional de Cinema de São Luís, no Cine Praia Grande, um cinema de rua localizado no Centro Histórico. No dia estava passando ‘Tudo Sobre Minha Mãe’, do Pedro Almódovar, que sempre quis ver, então lá fui eu. O cinema é de rua, não cabe tantas pessoas, então é bom chegar cedo pra garantir seu lugar, ainda mais em eventos gratuitos, como estava sendo. Várias pessoas ali estavam vendo o filme em pé.
No mesmo prédio do cinema, na parte de trás, tem algumas pinturas e quadros de artistas locais. É legal dar uma passada rápida!

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O filme acabou perto das 18 horas, então a maioria das coisas que valem uma visita pelo Centro Histórico estavam fechadas. Decidi andar por ali pra ver o movimento, e achei a Praça Nauro Machado, a principal do Reviver (como chamam o Centro Histórico), perto de vários museus, bares e restaurantes e que estava bem movimentada, não só por turistas, mas também por moradores. Do lado tinha várias barraquinhas de comida vendendo cachorro quente, beiju, várias coisas de camarão e outras coisas. Como bom fã de camarão, comprei uma empada de camarão, uma cerveja e fiquei vendo o movimento. As ruas estavam todas enfeitadas com bandeirinhas juninas, então ficou visualmente bem bonito e agradável.

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Voltei pro apartamento e de noite saí com a menina do twitter. Fomos pro Trutas Rango Bar, que fica em frente à orla e à Praia Litorânea. A entrada era 10 reais a meia e 20 a inteira e foi uma ótima oportunidade pra conhecer as banads locais e beber umas boas cervejas. O espaço ali era bem legal e amplo, tanto que a ideia do evento no dia era ter uns expositores e tatuadores também, mas pelo jeito todo mundo furou e ninguém apareceu…
Mas no geral, adorei conhecer as bandinhas que tocaram que foram: Ornitorrincos do Sertão Turu, Ari Sousa e Todos os Fogos, e você pode conferir aí embaixo o som delas.
Conheço várias bandas muito boas do Nordeste, mas não conhecia nada do Maranhão, então veja aí que também existem coisas muito boas por lá!

 

 

2° dia – Reviver, museus, Bumba Meu Boi, Amsterdam Pub…
No segundo dia, uma sexta-feira, o Tinder foi útil pra conseguir alguém pra me acompanhar pela cidade (vleu Cecilia ❤ ), me mostrando e contando vários lugares,  histórias e lendas da região. Fomos ao Centro Histórico pra ver o que não consegui no dia anterior. Infelizmente o que mais queria ver, que era o Teatro Arthur Azevedo, o segundo teatro mais antigo do Brasil, estava fechado para reformas. Tem um tour que sai de terça à sexta às 14h e às 17h, que mostra a plateia, o salão nobre, os camarotes, galerias, varandas, camarins e o palco. Fica pra próxima…
Então fomos andar pelo Centro, já que as principais atrações e museus da cidade ficam concentrados por ali.
Chegamos até a Fonte do Ribeirão, com características coloniais nas fachadas e tudo mais. Também é fonte de algumas lendas, como a da serpente, que diz que embaixo de São Luis há uma enorme serpente adormecida cuja cabeça se encontra na fonte do Ribeirão e a cauda, abaixo da igreja de São Pantaleão. Segundo a lenda, no dia em que a cabeça da criatura encontrar a cauda, o animal acordará e destruirá São Luis. Interessante é que em março desse ano ouve uma tromba d’água parecida com um tornado em São Luis. Aí já viu, muitos ficaram receosos de ser a serpente se despertando! Mas pra alívio de todo mundo, São Luís ainda tá inteira.

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Fonte do Ribeirão

Da fonte, ali perto, entramos no Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, um museu dentro de um casarão do século XIX. É uma parada obrigatória pra quem quer conhecer sobre a cultura maranhense, a história do Bumba Meu Boi, Tambor de crioula, Festa do Divino, a influência portuguesa na construção da cidade e várias outras coisas. Vale a pena! A visita é gratuita e guiada.

 

Final da tarde, saindo do Museu, fomos ver o pôr do sol do lado do Palácio dos Leões, outra atração da cidade, um prédio bem imponente que serve como sede do governo do Maranhão.

 

Saindo dali, estava acontecendo uma apresentação de Bumba Meu Boi no meio da rua! Muita gente e muita dança. Imagino como deve ser em Junho, que é o mês oficial da festa.

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Na Praça Nauro Machado, estava também tendo um show de um duo bem conhecida localmente (Criolina), e havia uma multidão ali pra ver o evento! Sentamos por ali, tomei o tradicional Guaraná Jesus, observamos o movimento e voltei pra casa.
De noite me encontrei com um amigo que conheci em um hostel em São Paulo, quando fui pro Lollapalooza há uns 4 ou 5 anos atrás! Uma das maiores vantagens de se ficar em hostel né. Nunca sabemos onde vamos parar nesse Brasil, e é sempre bom ter contato e poder sair com essas pessoas \o
Ele é Dj e ia tocar no Amsterdam Pub, que fica em outra região bem movimentada de São Luis, com algumas casas de shows e restaurantes com música ao vivo. Ali no Amsterdam, é um espaço bem amplo (muito maior do que os pubs de Brasília por exemplo, que não tem espaço nem pra respirar), com dois andares etc. O preço é o preço normal de pubs afora…
Mas pra quem gosta de uma festinha vale a pena. Lá também rola Karaokê, e cada dia toca um estilo diferente, pop, funk, indie, etc, além de rolar uns free shots de catuaba durante a festa!

3° dia- Social com a família
Terceiro dia foi pra fazer uma social com os tios né hehe
Fomos pra shopping, que né, é a mesma coisa em toda cidade, e depois passamos na sorveteria do meu tio. Lá vai o merchan.
Se chama Amoretto e fica localizada na Av. São Luís Rei de França. Os sorvetes são artesanais, e há mais de 80 sabores diferentes como o de cerveja! Também há de frutas regionais, como bacuri, açaí, etc. Experimentei o de cheesecake, que é um dos que mais saem, e é ótimo!

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Esse é sabor variegato chocolate. Uma delícia!

De noite, fomos na orla da Avenida Litorânea tomar uma água de coco à beira-mar. Ali, tem vários barzinhos e restaurantes com música ao vivo, sempre movimentados. Bom pra passar a noite sentindo a brisa do mar (o que conta muito, porque sentir vento na cara em São Luis é uma coisa rara!! ô lugar quente e abafado!!)

4° dia – Barreirinhas e Lençóis Maranhenses
Uhuu, o dia mais esperado. Saímos umas 7 horas da manhã de carro em direção a Barreirinhas, que é a porta de entrada dos Lençóis. A viagem dura aproximadamente 4 horas. A distância é de 260km e várias agências fazem o transfer, normalmente custando 60 reais por pessoa o trecho.
Também saindo do Terminal Rodoviário de São Luis, a Viação Cisne Branco faz o trajeto entre as duas cidades diariamente, em quatro horários (6h, 10h30, 14h30 e 18h).
A passagem custa R$ 30.

A principal coisa pra quem vai conhecer os Lençóis Maranhenses é ir logo após a época de chuva, pois as lagoas estarão cheias e o lugar ficará muito mais bonito. Fui no meio de Julho e estava ótimo, com algumas lagoas com a água chegando até o pescoço. (no meio da lagoa). Dizem que a melhor época pra ir é de Junho a Julho.  Eu recomendo muito que não vá no segundo semestre do ano. Meu tio já contou que já foi nessa época com pessoas que estavam indo pela primeira vez e foi a maior decepção, pois quase tudo estava seco. As lagoas são como se fossem a cereja do bolo.
Há várias e várias lagoas por ali, assim como vários e vários passeios diferentes. O legal seria ficar mais de um dia pra explorar mais, mas infelizmente fui num dia e voltei no outro e só deu pra fazer um passeio (que mesmo assim valeu super a pena).

Em questão à hospedagem, não façam que nem fizemos, que é procurar em cima da hora. Como também fui em alta temporada, foi bem difícil achar uma pousada na hora. A maioria estava esgotada. Entramos na booking e não achamos nada muito perto e barato, então o jeito foi procurar de carro mesmo alguma. Demos certo e achamos uma pousada bem boa, a Pousada do Porto, com uma vista muito bonita!

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Enquanto procurávamos a pousada, já fomos procurar o passeio. (Já era em torno de 12:30h). Entramos em umas duas agências e elas falaram que não havia gente disponível pra levar. Começou a bater o desespero, mas no meio de uma pracinha havia um cara oferecendo um passeio que ia sair em poucos minutos. Fechamos com ele, almoçamos voando, deixamos as coisas na pousada e partimos!

Os dois principais passeio nos Lençóis são da Lagoa Bonita e a Lagoa Azul.
A da Lagoa Azul ouvi dizer que o jeep para bem perto da lagoa, o que pode ter suas vantagens e desvantagens. A vantagem do conforto e a desvantagem do turismo, com muita gente, muito barulho e mal dando pra nadar nas lagoas. Não é minha praia preferida….

Meu tio convenceu o guia a ir pra Lagoa Bonita pra minha felicidade e tristeza das outras pessoas que estavam no jeep (que foram reclamando de tudo, e quando chegaram no lugar, ficaram falando coisas como “é sério que vamos ter que subir isso? Tenho que caminhar isso tudo? Podiam ter um bondinho aqui né pra levar lá pra cima”.
Respirei, meus olhos revirando e saí logo de perto dessa gente. Teve uma que pagou todo o passeio e decidiu não subir a montanha. Vai entender.

O trajeto até a Lagoa Bonita é uma super aventura por si só. Fomos naqueles carros 4×4 com cadeirinhas em cima dele. No caminho, temos que atravessar o Rio Preguiça de barca, que vai devagarinho. Aproveite e olhe ao seu redor, a vista do rio é bem bonita!

 

No caminho, parece que só há a opção “com emoção”. Me senti num rali dos sertões, com o jeep pulando, fazendo drift pela areia, passando pela água. É uma adrenalina que só.

Chegando lá, a duna inicial é sim muito grande mesmo, bem inclinada e é bem cansativo pra subir. Se você for com crianças ou idosos, veja se é melhor ir pra outra lagoa. Pra quem vai encarar, a dica é não ter pressa. Vá no seu ritmo, respire e ouça os “UAU”  de toda pessoa que chega lá em cima. Esse com certeza é o maior incentivo e a certeza que vai valer a pena. Outra dica vista naqueles programas de sobrevivência que ajudam também, é ir pisando nas pegadas, pois a areia não estará tão fofa e poupará esforço.

Chegando lá em cima você olha a sua volta e fica sem palavras. Atrás de você todo o verde do caminho que percorreu e na sua frente um mar infinito de dunas e lagoas. O parque possui 155 mil hectares e está inserido em 3 municípios diferentes. Tem pessoas mais aventureiras que decidem fazer toda a travessia do Parque. Se você preferir essa opção, é bom ir preparado.

 

 

Há várias opções de lagoas pra entrar, e a vista é maravilhosa em todas elas. A cada passo dado é uma vontade de tirar foto diferente. A água é super transparente com água muito boa e refrescante pra banhos. Porém há algumas lagoas ali que possuem muitas algas também!

 

Normalmente há passeios que saem de manhã e de tarde. Os de tarde normalmente as pessoas ficam até o pôr do sol, que deve ser maravilhoso. Porém, mais uma vez, os turistas chatos do jeep entraram em cena mais uma vez e quiseram ir embora umas 16h da tarde pois teriam que viajar. Fui obrigado a ir embora então sem poder ver o por do sol dali ):

Provavelmente há umas opções para se ir sozinho com quadriciclos, o que tem suas vantagens. Veja o que é melhor pra você e se informa nas agências de Barreirinhas! Se tiver mais tempo, há os outros passeios em que se pode visitar outras lagoas até mais vazias, visitar outros municípios ali perto, descer de bóia cross no rio, ir em uma ilha de macacos, etc.

Chegando na pousada na volta, descansamos um pouco e de noite fomos na Beira Rio, um calçadão do lado do Rio Preguiça, com várias lanchonetes, bares e restaurantes, muitos com música ao vivo também.

5° dia – Cachaça, dinossauro e circo

Saímos cedinho de Barreirinhas no outro dia e chegamos no horário de almoço em São Luís. Após o almoço, saí com a Cecília, que bastante paciente pra ser minha guia, me mostrou mais lugares por ali no Reviver. O problema é que era segunda-feira e muita coisa, inclusive lojas e comércio estavam fechados. Achamos o Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão aberto, e entramos. Também de entrada gratuita, no lado de cima há uma parte dedicada aos índios, e na parte de baixo, aos dinossauros. Na região do Maranhão já foram achados vários vestígios de civilizações bem antigas, assim como fósseis de dinossauros da era Cretácea, tendo até uma espécia chamada Amazonsaurus maranhensis! O museu é auto guiado, então não há uma explicação direitinha das coisas. Também muitos objetos não haviam nada escrito, nem o nome, o que era, etc. Mas é um museu interessante, com réplicas, maquetes e objetos originais de épocas antigas. Na parte de cima também há uma televisão com fotos antigas de São Luis, em que havia bondinhos andando pela cidade e tudo mais.
Há um painel interativo também, em que se pode esfregar o painel (como se estivesse cavando) e depois achar objetos enterrados. Ótimo para crianças, que devem adorar os dinossauros também.

 

Saindo do museu, fui procurar castanha de caju e geléia de pimenta pra dar pros meus pais. Entramos num mercado/feira, também ali no centro, em que havia todas essas coisas.
Dias antes ouvi que pra se falar que esteve no Maranhão, você tem que beber a cachaça de Tiquira, que é um destilado feito de mandioca. Então lá fui eu me aventurar. A cachaça, que tem um tom meio roxo, possui um teor alcoólico de 38° a 54° GL! Então a bichinha é forte. Achamos um bar que vendia a dose por um real. 1 dose, 2 copos. Coitada da Cecília…. Antes de beber tinha um carinha lá do lado que viu minha cara de turista e já deu a primeira dica:
“-Não tome banho!
Eu: que??”
Lendas dizem que se você tomar banho depois de tomá-la você pode até morrer. Bebida roxa, mais de 50%, que pode morrer se tomar banho….. fechei os olhos e fui na fé. É melhor nem sentir o cheiro antes, pois lembra é Alcool 70. Consegui engolir depois de umas caretas. Nos poucos minutos que estávamos lá, esse mesmo cara do meu lado falou que é ótimo beber a cachaça com camarão. Quando olhei, ele volta com dois camarões na mão que tinha pego no comércio do lado. Também falou pra eu experimentar a cachaça de cravinho que é mais docinha, e me deu um gole. Do lado da Cecília, uma mulher conversou em uma língua indecifrável com ela. Ela só tava concordando com tudo e no fim também ganhou uns amendoins e uma goiaba (?) da mulher. Ou o povo gosta muito de turistas ou é generosidade da cachaça mesmo.

Sentamos pra beber umas cervejas, algo mais bebível… E enquanto estávamos do lado da pracinha, lá vem o circo. Se não me engano, toda segunda-feira eles aparecem na praça e qualquer um que queira brincar ou treinar é só pegar as bolinhas, claves, diabolô e se divertir. Lá fui eu me arriscar no pouquinho que aprendi de malabares com um viajante argentino e também aproveitei pra testar as outras coisas que nunca tinha tentado. No meio ali, várias crianças, curiosos, gente que já sabia… Quando fui me arriscar no diabolô, um dos que estavam ali virou meu professor e me ensinou uns truques básicos.
Adorei ver uma coisa tão legal e aberta à comunidade como isso no meio da pracinha!
De lá, matei a fome com um cachorro-quente e voltei pra casa.

6° dia- Alcântara

O último dia livre na ilha e quis conhecer algum outro lugar por perto. As opções eram: pegar uma praia em Raposo, pois me falaram que diferentemente de São Luís, lá tem umas praias muito boas e banháveis, ou conhecer Alcântara, que foi um importante município no período colonial, além de possuir um centro espacial do qual são lançados os veículos lançadores de satélites! Como faltou companhia pra praia, escolhi ir pra Alcântara.
Para chegar até lá a opção mais viável é ir de barco ou catamarã. O preço é de 15 reais por trecho (30 reais ida e volta) e os barcos saem do Cais Praia Grande, do lado do Centro Histórico. Os horários variam de acordo com a maré mas o que peguei saía as 9:30h e voltava às 14:30h, tempo suficiente pra fazer um bate volta em Alcântara. O trajeto possui 1 hora e 10 minutos de duração (23km). De carro o trajeto já fica muito mais complicado e duradouro, e a distância aumenta pra incríveis 450km. Logo, o barco compensa!

Ouvi histórias que já teve barcos que viraram, que as ondas eram fortes e a viagem era emocionante. Mas não foi nada disso que vi. Aliás foi tão monótono que aproveitei pra tirar um cochilo. Dica: leve um fone de ouvido e bote sua música preferida pois tudo que você escutará do lado de baixo do barco é o ronco do motor. O legal é que você também pode viajar na superfície do barco, onde fica o veleiro. A paisagem fica muito mais bonita, apesar de ser desconfortável e difícil achar um lugar na sombra. Tem uns dois lugares mais altos que oferece sombra, mas cabem umas duas ou três pessoas (lembrando que você vai sentado no chão).  Se não houver disposição ou lugar disponível na sombra, já vale dar uma passada lá em cima pra ver como é e voltar lá pra baixo. No meu caso na volta fui embaixo e na ida em cima pra ver como era! Rende umas boas fotos também.

 

 

Chegando lá em Alcântara, como péssimo turismólogo que sou, que não planejo nada, não sabia direito o que ver e pra onde ir. Um guia me abordou e ofereceu um passeio guiado por 20 reais. Aceitei e recomendo muito que façam o mesmo! O guia que me acompanhou sabia absolutamente tudo sobre tudo. Deu uma aula de frutas, plantas, sobre a cidade, de história, de origem de nomes que não fazia ideia daonde vinham e o que era. Era um guia local, que conhecia todo mundo ali, além de ter também uma pousada e um restaurante. No fim da guiagem, até fomos conhecer a casa dele e tomar um café! Para quem quiser o contato dele:
Cláudio Diniz Pereira – Técnico em Guia de Turismo – Telefone (98) 3016-0709 / 9133-2009.

A cidade, embora pequena, já foi uma das mais ricas do Maranhão, quando barões e escravos habitavam a cidade. Naquela época, até Dom Pedro II prometeu uma visita à cidade, o que fez com que dois barões começassem a disputar entre si pra ver quem construía a casa mais digna pra recebê-lo. Por fim, Dom Pedro II nunca foi na cidade (fato que todos comentam até hoje, e até nas festas tradicionais como na Festa do Divino, há uma parte que falam disso. É um remorso que dura algumas centenas de ano). Com a abolição da escravatura, a cidade foi entrando em decadência, e o que restou foram as ruínas daquela época. Parece que a cidade parou no tempo em certos pontos, então é bem interessante ver as ruínas, antigos casarões e imaginar como era a vida ali.

Bom, durante o passeio observamos e aprendemos a história dessas ruínas (que são muitas), visitamos a Praça da Matriz que é o atrativo principal da cidade, entramos também em um casarão antigo que deu origem a um museu, onde podemos observar objetos e o modo de vida dos barões que ocupavam a cidade no tempo colonial.

 

Paramos numa lojinha de artesanato onde vendiam licores de canela, cravinho, camisas, objetos feitos por quilombolas, entre várias outras coisas. A cidade possui 7 mil habitantes, e o turismo, apesar de sazonal, é um dos ganhos de vida de boa parte dos habitantes.

No final, como haviam outras pessoas no grupo, que paravam pra comprar coisas, tirar fotos, etc, o tempo foi ficando curto, e infelizmente não tive tempo de visitar a Casa da Cultura Aeroespacial, que possui alguns vídeos, quadros e réplicas de foguete. A base de verdade fica mais afastada e é fechada para visitação.

Por fim, paramos pra almoçar num restaurante e experimentei o tão falado Arroz de Cuxá, prato típico maranhense, que consiste em arroz com um molho feito com ramos de vinagreira, gergelim, camarão seco e pimenta de cheiro. Experimentei e aprovei!

Falando de culinária maranhense, experimente o arroz de cuxá, beiju, juçara (uma espécia de açaí), o famoso guaraná Jesus, cachaça de tiquira, guaraná da Amazônia (me falaram que é uma espécie de milk-shake, que vai pó de guaraná, xarope, mel, amendoim, castanha, leite e gelo. Parece uma mistura louca e gostosa. Falam que é bem energético também. E é uns 3,50 o copo grande! Esse fiquei sabendo da existência poucos dias antes de ir, e não consegui achar a tempo. Fica pra próxima), e várias outras coisas muito presentes ali, como peixes e frutos do mar. De sobremesa não deixe de experimentar os sucos de frutas e doces da região como buriti, murici, cupuaçu, sapoti, graviola, cajá, caju, etc.

Voltei para São Luis bem feliz e satisfeito com essa viagem. A cultura e história do Maranhão é super rica e diversa. A culinária também acompanha essa diversidade. E as pessoas que conheci ali foram super receptivas e pacientes.

Aproveite tudo que a cidade tem a te oferecer, e se divirta!

2 comentários em “Relatos: São Luís – Lençóis Maranhenses – Alcântara – 6 dias”

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